segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Alucinação

O dia passa, meu amor. . .
Eu não lhe conheço,
Mas seja lá quem for
Desde já desanoiteço:
Estou aos pés da manhã
Contando raios de sol,
Calando a canção malsã
Inimiga do arrebol .
Como gostaria de apenas
Falar sem por as dores,
Escrever apenas poemas
Sem prosaicos odores;
Mas o amor sem guia
E a fé sem fronteira
Encontram a noite fria
E o tombo na cegueira .
Não me encontro tão mal,
Mas compreendo a razão
De trazer-me ao real
Reeducando um coração.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

A Criação

É difícil, menino,
Com tanta emotividade
Fazer coisas de liberdade
Sem passar por libertino;
Sentir a dor dessa palavra
Cunhada com pejoração,
Mas dentro do coração
Seu bom sentido nos desbrava;
Seu bom sentido se desdobra
Dentro de nossa paisagem
Que é de cada um viagem,
Cujo destino é uma obra:
Criação de gente aflita
Alcunhada questionável,
Quando morre é memorável
Até chamarem de infinita . . .

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Big Bang

Põe as tuas mãos sobre as tuas próprias mãos
E livra-te de todas as armas que te fazem segurar,
Não mates nada mais do que teus íntimos senãos
E despe-te de toda palavra mais pesada que o ar.

Anuncia a chegada de ti próprio a ti mesmo
E canta a liberdade que só no âmago encontras,
Abre-te o teu milhão de defeitos a esmo
E, como um Deus, cura todas as tuas sombras.

domingo, 11 de novembro de 2012

Equilíbrio

O caminho do meio
Está entre os extremos,
Em nutrir-se no seio
Da beleza que contemos;
Entre o senso de defesa
E a passividade ,
Entre a mente muito tensa
E a falta de vontade .
Encontra-se o caminho
Conhecendo paradoxos,
E na rota do carinho
Os respeitos ortodoxos;
O passado e o futuro,
A razão e o coração,
O presente sai do escuro
Sob a luz de uma oração.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Natural

A dolente chama
Um dia se apaga,
Porque só divaga
O achar que se ama;
A suave harmonia
Sempre se dilata
Por dentro da mata
Como o nascer do dia .
Uma flor que nos afaga,
Uma natural simpatia,
Notas de melodia
Que se propaga;
Uma pura cantata
Que parece fugidia,
Mas espera luzidia
Nossa voz sensata,
Inaudita . . .