terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Impermanência

Uma criança segura uma rosa
Em meio a uma vida que
Não pode mensurar.
Não sabe se terá de sentir o perfume amanhã .
Não sabe se terá de viver alguns espinhos.
Mas que viva com toda a natureza
De uma rosa que hoje segura,
Apesar de cortada em suas mãos.
Porque tem mãos para tanto.
Porque tem vida para tudo.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Escola

As palavras sendo refinadas pela tua lágrima
O caminho de tua mão é a do encontro com outra
Podes abraçar quantos couberem em tua solidão
Tu não sabes o quanto esperas por alívio
Há uma sede infinita de crescimento
Uma vontade existe além desta cegueira
Porque a vida foi feita para o nascimento
A cada segundo nasce uma possibilidade
Uma intuição pede muito por renovação
Isto tudo é apenas a tua escola de amar

sábado, 1 de dezembro de 2012

Ciência

Tempo de voltar às palavras,
De colher o sumo difícil
Dos conhecimentos.
Cada ciência em seu lugar,
Incompletamente mas crescendo,
E no movimento do universo
Todas completamente
Acontecendo. . .
Tenta-se descobrir o que já é .
É o trabalho de quem nasce .
Crescer à base do que já está .
Para estudar o infinito.

Pas de Deux

A dança é o alívio do corpo
Em sua música com a alma na Terra .
É a matéria em ritmo,
É a matéria em melodia,
É a matéria em harmonia
Com o espírito santo.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Alucinação

O dia passa, meu amor. . .
Eu não lhe conheço,
Mas seja lá quem for
Desde já desanoiteço:
Estou aos pés da manhã
Contando raios de sol,
Calando a canção malsã
Inimiga do arrebol .
Como gostaria de apenas
Falar sem por as dores,
Escrever apenas poemas
Sem prosaicos odores;
Mas o amor sem guia
E a fé sem fronteira
Encontram a noite fria
E o tombo na cegueira .
Não me encontro tão mal,
Mas compreendo a razão
De trazer-me ao real
Reeducando um coração.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

A Criação

É difícil, menino,
Com tanta emotividade
Fazer coisas de liberdade
Sem passar por libertino;
Sentir a dor dessa palavra
Cunhada com pejoração,
Mas dentro do coração
Seu bom sentido nos desbrava;
Seu bom sentido se desdobra
Dentro de nossa paisagem
Que é de cada um viagem,
Cujo destino é uma obra:
Criação de gente aflita
Alcunhada questionável,
Quando morre é memorável
Até chamarem de infinita . . .

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Big Bang

Põe as tuas mãos sobre as tuas próprias mãos
E livra-te de todas as armas que te fazem segurar,
Não mates nada mais do que teus íntimos senãos
E despe-te de toda palavra mais pesada que o ar.

Anuncia a chegada de ti próprio a ti mesmo
E canta a liberdade que só no âmago encontras,
Abre-te o teu milhão de defeitos a esmo
E, como um Deus, cura todas as tuas sombras.