terça-feira, 24 de agosto de 2010

Tortura

Quanta gente se comove
E se move entre quartos,
Troca os fatos e os envolve
Com os fartos descaminhos;
Quantos ninhos já desfeitos,
Tão alheios sem destino,
Tão entregues a terceiros,
Sem um fino sentimento.
O que o vento já desaba
De tão fraca a estrutura,
Só tortura quem desama,
Só tem cura com o tempo;
E se o vento só reclama
E quem ama não desprende
Da sua mente essa chama,
Tende a ser um ser ausente .

domingo, 15 de agosto de 2010

Nu

A nudez sempre
Nos pede de volta:
A nudez do corpo,
Que é o primeiro ato
De auto-análise
(Superficial);
A nudez do próximo,
Que é o primeiro ato
De unidade
(Corporal);
E a nudez de dentro,
Que passa do corpo
E toca o próximo
Por ser de fato
Algo ainda
Anormal
E muito
Íntimo.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Poema Infinito

(De Nascer e Morrer)


Quem sabe
As minhas palavras
Se tornem anjos decaídos
Quando retiradas do céu
Que é meu peito
E encarnadas
Em teu ouvido
Terrestre . . .

Quem sabe
Elas morram
Sem saída,
Tenham
Que tentar
Sobreviver
Aí dentro
De teu mundo
Intragável . . .

Quem sabe
As minhas palavras
Se tornem anjos redimidos
Quando retiradas do inferno
Que é meu centro,
Desencarnadas
Pelo teu ouvir
Sincero. . .

Quem sabe
Elas saiam
Muito aflitas
Daqui dentro
Do meu peito
Para serem
Mais bonitas
No teu coração
Sensível . . .